Construção civil em SP fecha convenção com ganho real e cláusulas para mulheres
Maioria dos sindicatos filiados à Conticom-CUT e à Feticom-SP assina nova CCT 2026/2028 com reajuste salarial de 5,15%, índice superior à inflação; trabalhadoras terão banheiros separados e absorventes
Publicado: 29 Maio, 2026 - 09h50
Escrito por: Redação CONTICOM
Os trabalhadores e trabalhadoras da construção civil do estado de São Paulo conquistaram aumento real de salários na Campanha Salarial Unificada 2026/2028, desenvolvida sob a coordenação da Federação dos Trabalhadores da Construção e Mobiliário do Estado de São Paulo (Feticom-SP) e apoio Conticom-CUT. O reajuste será 5,15%, a partir de 1º de maio.
A confirmação veio na última terça-feira (26/5) com a assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) referente ao período 2026-2028, em evento realizado na sede do sindicato patronal. Participaram da assinatura a Feticom-SP, com a maioria de seus sindicatos filiados, e o Sintracom-SP, pelo lado dos trabalhadores, e o Sinduscon, pelas empresas.
Marcelo Ferreira dos Santos, tesoureiro da Conticom e presidente do Sindicato da Construção Civil de Guarulhos (Sindcongru), explica que parte dos sindicatos da Feticom-SP não assinou a CCT porque ainda negocia acordos individuais e específicos em suas bases.
“Avaliamos que o desfecho da Campanha Salarial Unificada 2026 foi positivo porque conquistamos aumento real e cláusulas pelas quais a gente lutava há tempos. Além disso, vale destacar que a unidade dos sindicatos em todo estado fortaleceu muito a mobilização e possibilitou os avanços”, disse.
O dirigente destaca que o reajuste fechado de 5,15% inclui um aumento real de mais de 1% – a inflação acumulada do período foi de 4,11%. Outras conquistas destacadas foram o piso diferenciado para montadores de forma (função muito utilizada nas obras do Minha Casa, Minha Vida), e a inclusão do lanche da tarde no valor de R$ 9,00 por dia, o que representa um reforço no item alimentação de R$ 198,00 no mês.
Avanços para as mulheres
Outro destaque da nova CCT foi a inclusão de uma cláusula específica com o objetivo de estimular a contratação e retenção de mulheres nos canteiros de obras e também de combater a discriminação de gênero.
Dentre as novidades, está a indicação para que as empresas montem áreas de vivências (instalações sanitárias, vestiários) destinadas exclusivamente às trabalhadoras da área de produção nos canteiros. Nessas áreas de vivências, as empresas também devem fornecer absorventes higiênicos.
A cláusula prevê ainda itens de incentivo à qualificação e requalificação das mulheres, manutenção de campanhas de combate ao assédio sexual, e recomendação de redução das horas extras para as trabalhadoras em função da reconhecida “dupla jornada” que elas desempenham (nos canteiros e depois em suas casas).
Confira os principais da nova CCT:
- Reajuste: 5,15% (para salários de até R$ 8.221,51)
R$ 423,00 (para salários acima de R$ 8.221,51) - Pisos: R$ 2.302,75 (Não-qualificados)
R$ 2.552,37 (Meio-oficial)
R$ 2.801,98 (Qualificados)
R$ 2.900,00 (Montador de forma metálica)
R$ 3.356,80 (Qualificado em montagem industrial) - Vale-alimentação: R$ 509,98
- Tíquete-refeição: R$ 33,44/dia trabalhado
- Lanche da tarde: R$ 9,00/dia (R$ 198,00/mês)
